terça-feira, 23 de junho de 2009

Cinema nacional bate recordes no primeiro semestre


É, sem dúvida, uma boa fase: 9,5 milhões espectadores em menos de seis meses. Já é mais que todo o público do cinema brasileiro em 2008.

"Se eu fosse você 2" é, de longe, o filme mais visto do ano, com seis milhões de ingressos vendidos. "Divã", uma peça de teatro adaptada para as telas, já atraiu quase dois milhões de espectadores. E "A mulher invisível", que estreou há duas semanas, passou dos 800 mil.

Em oito semanas, esses três filmes brasileiros chegaram a liderar as bilheterias, superando os blockbusters americanos. E todas essas produções nacionais que levaram multidões ao cinema este ano são comédias. Será que apostar neste gênero é uma tendência do cinema feito no Brasil, e uma prova de que a indústria encontrou seu rumo, ou pura coincidência?

“Eu acho que esse ano aconteceu uma concentração de comédias românticas. Eu acho que são sincronismos aleatórios do destino cinematográfico”, diz Cláudio Torres, cineasta.

O sucesso das comédias brasileiras tem raízes antigas. “As boas fases do cinema brasileiro, a gente tem a chanchada, lá dos anos 40, com Anchito com Oscarito. Depois a gente tem a comédia, que é de Mazzaropi, e aí chega depois a comédia erotizada, que é “Dona flor e seus dois maridos”, que é a maior bilheteria de todos os tempos, ninguém bateu, 12 milhões de espectadores. Hoje, a gente tá vendo se repetir essa história”, declara Marcos Petrucelli, crítico de cinema.

Mas a diversidade é fundamental, na opinião de Luiz Vilaça, que lança, agora, o drama "O contador de histórias". Para ele, mais do que do gênero do filme, o sucesso depende de investimento em divulgação.

“O filme se comunicar com o público, está acontecendo, filmes bons, cada vez mais a gente está tendo, o que é que está precisando: que avisem que o filme está em cartaz”, diz Luiz Vilaça, cineasta.

O que os filmes nacionais arrecadaram este ano representa apenas 19% da bilheteria total. Mas, para a atriz e produtora Denise Fraga, esse já é um mercado viável no país.

“O "estar filmando" virou uma expressão corriqueira, tá filmando. Esse negócio de tá filmando significa que isso tá virando uma indústria respeitável”, afirma a atriz.

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Do G1, em São Paulo.

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