quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sobre minha intransigência opinativa

Quem me conhece, sabe: critico mesmo. E sem dó!
Para me entender, podemos desvelar o meu asco cultural latente - aquele que gera o maior número de debates.

Com o surgimento de boy bands no decorrer da minha infância percebi que poderia discordar da maioria.
Mais tarde e mais velho pude confirmar essa ideia ao conhecer Paulo Coelho, ganhar livros de autoajuda e assistir franquias hollywoodianas.
Hoje, essa lista é imensurável e, para muitos, beira o ceticismo barato, digno de pseudointelectuais rejeitados.
Mas eu tenho minha defesa.

Antes de tudo, só passei a detestar certas coisas por conhecê-las mais a fundo.
Como esquecer minha irmã toda sorridente colocando o CD do Backstreet Boys pra tocar, ou ter a oportunidade de ler um livro de Paulo Coelho e ainda assistir várias franquias cinematográficas repletas de efeitos especiais?

Para ilustrar e tornar tangível a explicação, vale um exemplo recente.
Na intenção de me divertir com novos amigos e minha namorada, fui a um show do Teatro Mágico e meu preconceito ruiu. Vê-los ao vivo me fez baixar a guarda e, apesar de não gostar por completo, passei a admirá-los e respeitá-los um pouco mais. Ou seja, antes de colocá-los em cheque, coloquei-me em cheque.

Porém, reconheço que tenho prazer em discordar. Kundera tinha razão quando afirmou que "toda discordância é uma cusparada no rosto sorridente da fraternidade". Afinal, detesto a unanimidade, a uniformidade. Isso me cheira a ausência de seres vivos vívidos.
Além disso, nunca gostei de quem se manteve intacto por orgulho ou mutável por conveniência. Para mim, só tem o direito de manter a opinião aquele que vence e convence.
Daí surge a intransigência. Ela é o resultado da relação entre as vitórias e derrotas acumuladas em vida.

Minha voz, apesar de ácida, é confiável.

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