quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Criador Ateu e A Criação da Dor


Na mais conhecida concepção de crença religiosa, o criador é aquele que dá, mas também tira a vida.
À merda a religião, no meu imo isso é real.
Sob minha tutela, as palavras nascem, mas caem tachadas. Escrevo-as, mas não as sublinho.
É sempre um ponto antes do final.

Eu crio o texto, mas mato a esmo. Crio e mato a golpes de machado cego!

Enquanto isso, o córtex agoniza e todo o cérebro emperra. Acometido por quimeras, todo o esforço cai por terra. O pobre texto é quase nada. Nasce morto.
Eu corto os 'a' de asas e não me restam ases, pois, para mim, se o verso alçasse voo raramente galgaria as nuvens.

Sou um exigente deus injusto, fonte de merecida descrença. Eis a origem do meu ateísmo em relação às minhas próprias palavras.
Como um aspirante a escritor, sou um pouco chacal como todo criador.

Eu crio a dor ao não me dar por satisfeito.

Nenhum comentário: