sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Minutos


Nas ruas, na noite e nos bares o rumo não importa. Vermute aqui, vermute acolá e não se vê o tempo passar... Lá vale tudo e Minú gosta disso. Lá, como se sabe, pontos fracos quase não existem.

Minú, porém, é como toda e nenhuma mulher. É tudo em sua finitude incerta, mas, apesar de parecer complicada e devoradora, também pode ser devorada.
Quando se arruma, por exemplo, entre frascos e tecidos - e contra o tempo -, perde o tal rumo, o controle de si mesma. É lá na aquarela de cores e cheiros de toda mulher que ela se desfaz e a olvida insegurança vem à tona. Ali, entre um capricho no penteado e um cuidado com a pele, começa o seu tormento.

Ela sabe que não é flor que se cheire, mas por qual motivo se emplastra de creme e pinta o rosto? O ser que a espera bem vestida - mas talvez só queira vê-la nua - não pensará nada além daquilo que ela já ouve nas ruas, isso é certo.

Geralmente, enquanto pensa, passa apressada pelo espelho e vê-se de relance. Quase sempre o caos é certo. Ela para, boquiabre-se e dá meia-volta.
De frente para seu reflexo esperneia e decreta que só sai dali quando enxergar-se bela.
Sim, ela sabe que depende do humor e da autoestima para prosseguir confiante, mas é como o remédio costumeiro que deixou de fazer efeito. É o antibiótico seguido de cerveja: anula-se, inutiliza-se.
Ela é a cura da própria doença, mas a doença na própria cura.

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