segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A complexidade do perdão


Afinal, quem perdoa exerce poder ou submete-se a ele?

De fato, não sei. Gosto mesmo é desse pensamento lúbrico do significado indomável, pois sabemos que o perdão nem sempre é concedido com a intenção de apagar o que foi feito.

Muitas vezes, por exemplo, quem perdoa quer trazer o outro para debaixo de si, exigindo a retidão nos atos sem precisar dizê-lo.
É fácil e comum imaginar isso: o perdoado conformado com sua sentença. É ele quem deve e é ele quem paga. Parece justo.
Mas perdoar também é difícil. Tem sempre muito orgulho e rancor em tal ato e isso é como dizer ao outro: "faça o que quiser, eu lhe dou passagem". É diminuir-se.

Há ainda o outro lado, o do arrependido.
Aquele que pede perdão para mostrar mais sabedoria e autoconsciência diante da situação, ou para usar o já conhecido "coitadismo" inerente aos que se dizem simples, mas possuem mentes quase ofídicas.

E não paro por aí. Vamos tornar isso mais idiossincrático:

Na ótica cristã perdoar é ser nobre sem deixar de ser humilde. É perfeito! É um baita álibi para chegar ao paraíso!
No ponto de vista do esquivo ser moderno é questão de honra guardar a desculpa só para os próprios erros. É perfeito! E também é um baita álibi para expandir o ego!

Parece que estou louco?
Bem, DESCULPE-ME, mas é que tudo isso é muito interessante.

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