Eis minha sede, minha fome e minha ânsia: digiro tempo e espaço, enquanto dirijo o meu destino. Dirijo sobre o caminho que digiro, enquanto sigo sob o céu que não vejo.
Se não olho acima, ao lado a paisagem, antes admirada, agora passa como um raio. Ela mudará, afinal. E é melhor não se atrever a fitá-la: perder-me-ia em uma viagem dentro de outra. Perder-me-ia de mim mesmo!
Passo com passos apressados sobre paços, poças, pastos... Passo a passo eu passo e não vejo nada, só o que resta.
- Mas, afinal - perguntam-me -, o que resta? A vastidão cerúlea? A paisagem? As cidades?
- Ah, isso não! - penso (pois existo) e não respondo.
Logo lembro Rimbaud e seus velhos versos que encontrei por aí, outrora:
"Farto de ver. A visão que se reecontra em toda parte.
Farto de ter. O ruído das cidades, à noite, e ao sol, e sempre.
Farto de saber. As paradas da vida. - Ó Ruídos e Visões!
Partir para afetos e rumores novos."
E um novo rumor é o caminho a percorrer, o banquete do oferecido horizonte a digerir.
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