Inspirou afim de se inspirar, mas ela não veio e ele hesitou em não tentá-la outra vez. Naquela noite, pelo visto, não.
Não era para ser. Sim, era melhor que pensasse assim - pelo menos por enquanto -, uma vez que a ilusão do destino escrito era sempre confortável e satisfazia todos os outros moribundos que dormiam em suas casas enfileiradas lá fora.
Sabia que não tardaria a escrever novamente, assim como sabia que não demoraria para o dia nascer. Tudo retornaria. Ah, o barulho, o tráfego!
Escreveria como numa torrente ininterrupta, então! Incessante seria como tudo lá fora. Mas não agora.
Agora respondia ao seu chamado mais íntimo. Padecia como sempre fazia todas as noites (mais tarde que os outros, é verdade), mas não era o único a deitar-se refestelando-se em seu leito.
Antes de mais nada, afinal, precisava de si. Antes de escrever e inspirar, precisava sobreviver. Precisava respirar.
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