Começou com as salas de bate-papo e logo passou para o Messenger. Em ambos, nunca quis muita conversa. Buscava as mais carentes e lhes passava as reais e sujas intenções - sem êxitos.Já passava da meia-noite de mais um dia cibernético quando, enfim, conseguiu ver o corpo nu de uma mulher na webcam. Ele não cabia em si de tanta empolgação, enquanto a mulher, nua em pelos, se insinuava para ele lá do outro lado.
Apesar do aspecto robótico dos movimentos via internet, ele logo chegou ao êxtase. Assim, rápido e direto. Ela, ao contrário já vestia um baby doll quando despediu-se e foi embora num desses caminhos inimagináveis do universo virtual.
Ele ficou lá, estirado na cama. E ficou assim por algumas horas... Cansado, suado e com o abdômen coberto pela substância resultante de seus esforços físicos sexuais.
Num ínterim, apesar do despojamento ao qual já estava acostumado, sentiu remorso. O efeito físico da excitação seguida do prazer e do orgasmo o deixara fraco. E tal relaxamento o fazia sentir-se inútil e indefeso. Sentia fome e sono.
Além disso, já não ia ao trabalho há dois dias e a desculpa da gripe já se tornava gasta. Era hora de retomar a rotina. Afinal, o computador que antes era alcançável somente numa lan house, agora já poderia ser utilizado no conforto do seu quarto - e precisava ser pago.
Levantou-se, então. Tomou um banho e resolveu preparar um jantar.
Na saída do quarto, vestindo um pijama roto, não se deu conta da bagunça e sujeira da casa. O remorso, porém, fora substituído pela costumeira resignação.
Comeu sua mísera gororoba no colchão estirado no chão imundo da sala - fora ali que no dia anterior assistira a uma compilação das cenas pornográficas com as maiores atrizes do ramo.
Já arrotando, decidiu dormir. Saiu, largou o prato ao relento e deitou-se na cama para, instantaneamente, adormecer.
No dia seguinte, atrasado, saiu para o trabalho e voltou duas horas depois; desempregado.
Sem saber o que fazer, riu de si mesmo e ligou o computador novamente...
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