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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A resignação escatológica de Fred

Começou com as salas de bate-papo e logo passou para o Messenger. Em ambos, nunca quis muita conversa. Buscava as mais carentes e lhes passava as reais e sujas intenções - sem êxitos.
Já passava da meia-noite de mais um dia cibernético quando, enfim, conseguiu ver o corpo nu de uma mulher na webcam. Ele não cabia em si de tanta empolgação, enquanto a mulher, nua em pelos, se insinuava para ele lá do outro lado.

Apesar do aspecto robótico dos movimentos via internet, ele logo chegou ao êxtase. Assim, rápido e direto. Ela, ao contrário já vestia um baby doll quando despediu-se e foi embora num desses caminhos inimagináveis do universo virtual.
Ele ficou lá, estirado na cama. E ficou assim por algumas horas... Cansado, suado e com o abdômen coberto pela substância resultante de seus esforços físicos sexuais.
Num ínterim, apesar do despojamento ao qual já estava acostumado, sentiu remorso. O efeito físico da excitação seguida do prazer e do orgasmo o deixara fraco. E tal relaxamento o fazia sentir-se inútil e indefeso. Sentia fome e sono.

Além disso, já não ia ao trabalho há dois dias e a desculpa da gripe já se tornava gasta. Era hora de retomar a rotina. Afinal, o computador que antes era alcançável somente numa lan house, agora já poderia ser utilizado no conforto do seu quarto - e precisava ser pago.

Levantou-se, então. Tomou um banho e resolveu preparar um jantar.
Na saída do quarto, vestindo um pijama roto, não se deu conta da bagunça e sujeira da casa. O remorso, porém, fora substituído pela costumeira resignação.
Comeu sua mísera gororoba no colchão estirado no chão imundo da sala - fora ali que no dia anterior assistira a uma compilação das cenas pornográficas com as maiores atrizes do ramo.
Já arrotando, decidiu dormir. Saiu, largou o prato ao relento e deitou-se na cama para, instantaneamente, adormecer.

No dia seguinte, atrasado, saiu para o trabalho e voltou duas horas depois; desempregado.

Sem saber o que fazer, riu de si mesmo e ligou o computador novamente...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fred, a fraude escatológica

Fred, quando pequeno, como todo brasileiro, aprendeu a gostar de bunda.
Foi seu pai quem o ensinou a catalogar na mente cada tipo de mulher através da análise atenta do derriére. Ou bunda mesmo, como preferir.

Alguns anos mais tarde, Fred se deu conta de que aquilo não funcionava. Afinal, seu velho era só um marido aborrecido com a falta de novidades e rigidez dos glúteos da esposa. Mal sabia ele quem era o bunda mole.
Logo, então, Frederico percebeu que ficar à espreita analisando curvas femininas não era muito proveitoso. Gostava de dizer que bom mesmo sera "incluir carne no banquete", apesar de ter matado essa tal "fome" apenas uma vez. Uma única, desprezível e inesquecível vez com uma meretriz, aos quatorze anos de idade.

Enquanto o sonhado "banquete" não acontecia, porém, cada peripécia erótica dos amigos era como um prego na sua cruz. Sentia-se o último no ranking dos "homens bem sucedidos" mesmo jurando ser um grande "comedor", uma mentira tão grande que, somada à fama de inexperiente, lhe rendeu alcunhas indigestas. Uma delas, inclusive, ele próprio achava criativa: Fred Fraude, ou só Fraude mesmo.

Sim, ele era uma enganação ambulante cuja chance de se tornar o tão sonhado degustador de mulheres ia passando a cada dia.

Tanta mulher, tantas curvas e sabores para experimentar e ele, ali, descreditado, inseguro e inocente num mundo onde todos pareciam transar numa imensa e assustadora orgia sob o céu... Beiraria o asco se ele não quisesses fazer parte daquilo.

O tempo passou.

E, num belo e primaveril dia de ócio puro, ele descobriu a internet.
A partir dali, nunca mais foi o mesmo. Eram sempre ele, cinco dedos e quantas bundas quisesse!

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E a saga de Fred? Freud explica?