
Em frente à luxuosa sala de cinema, grandiosidade. O palco, como tudo que se refere ao astro, estava montado. Luzes, câmeras e muita ação. Por todas as cidades mais importantes do mundo, aliás, imitadores, fãs e imprensa em alvoroço.
Acomodei-me na poltrona assustadoramente próxima à tela e aguardei o início de "This Is It". Aos poucos, a ansiedade foi passando e tratei também de tentar deixar de lado toda a surpresa e incredulidade por estar ali. Mas não foi possível, pois, num ínterim, me veio à cabeça a sensação que tinha quando ouvia, via ou falava de Michael Jackson na infância.
Na época, era como tratar de um monstro magnífico, um gigante intocável e repleto de surpresas. Sim, surpresas... Jackson adorava surpreender a todos com entradas triunfais e espetáculos explosivos. Além disso, amava o que fazia e isso acabava lhe dando o direito de ser excêntrico e polêmico, apesar das críticas inerentes a todo astro de sua magnitude.
Mas veja só que ironia: nesta noite, MJ estava quase inteiramente blindado a essas críticas e, tal como suas entradas, sua saída da vida fora surpreendente...
De repente, som alto e susto. A sessão, enfim, começara.
Os devaneios, então, cessaram durante as sequências exclusivas de um artista desconhecido e intrigante. O diretor, Kenny Ortega, soube selecionar bem as imagens. Ninguém ousou tirar os olhos de tela durante 1h40 de filme.
Ao final da sessão, merecidas palmas da plateia e perplexidade de minha parte perante a descoberta de que fora surpreendido outra vez. Mesmo falecido, Michael Jackson me surpreendera. Realmente assustador, pensei, enquanto me levantava e me juntava à satisfeita multidão.
Já no hall apinhado de gente, concluí que o astro-mor não estava morto. Era óbvio que não estava morto! Estava mais presente que nunca e assim permaneceria para sempre no panteão da cultura pop.
Assim, ainda pensando em morte, lembrei-me automaticamente do famigerado "Thriller" de 1983, gerador do homônimo videoclipe revolucionário que poucos desconhecem e de como aquela revolução de zumbis, mortos-vivos e lobisomens rendeu ao rei do pop mais fama e polêmica. Afinal, a partir dali, a carreira que já estava em alta, consolidou-se ainda mais nos números e estatísticas, cravando o nome de Michael na história até hoje, após o seu falecimento.
Chegando em casa, meio a contragosto, ri da ligação inevitável entre este fato e o fim louco e contraditório - como o próprio artista: a mesma morte ou semimorte dançante que lhe rendera recordes, fama e dinheiro, e agora lhe rendia o mesmo. É... Não havia como negar que a morte lançou-se irônica sobre Michael Jackson.
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