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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Às descobertas!



A última postagem do ano merece seguir à mais nova tendência do blog: música e o que surge dela.

A banda goiana Black Drawing Chalks, pelo que li por aí, fez sucesso na MTv este ano.
Apesar disso - é raro eu concordar com sucessos -, viciei! Da música ao estilo original e passando até mesmo pelos tantos desenhos e estampas que representam a banda, tudo muito novo. Tudo muito verdadeiro!

Quem não quer um ano novo assim - apesar da implicância com desejos repetitivos?

Sendo assim, fica aqui o link do clipe "My Favorite Way" e uma boa chance de se empolgar no dia de hoje, o último de 2009.

Das raízes aos frutos da maluquez



Escrever sobre Raul não é difícil. Mas fazer um texto sobre ele de forma adequada é um desafio e tanto.
Digo isso pelo tamanho de sua memória vivida, revivida, revistada e revisitada. Ele sempre será grande demais para tudo o que vier em sua homenagem.

Portanto, penso que ouvi-lo, lê-lo e buscar entendê-lo nunca será o suficiente. Afinal, ele é produto de si mesmo combinado a vários outros fatores. Ele se criou, se reinventou e seguiu sua própria filosofia. Ou seja, é como Seth e seus ângulos obtusos: a única maneira de honrá-lo é seguindo a si próprio.
Vale dizer, porém, que se reconhecer em Raul é fácil. Ele foi brasileiro, foi cidadão do mundo, pai, filho, homem, mulher, ancião, profeta, mendigo... Ele foi tudo e, assim, cantou para todos. E o mais admirável: alcançou tudo isso sendo
apenas ele mesmo.

Eu, como muita gente por aí, o ouvi pela primeira vez quando criança e nunca mais fui o mesmo.
Confesso, porém, que, apesar de ter álbuns na estante e arquivos no computador, havia algum tempo que não o botava para tocar, ou refletia sobre sua obra.

Eis que este ano, de repente - mas não por acaso -, eu o reencontrei após um trabalho da faculdade.
De agosto a outubro deste ano mergulhei por completo na vida e obra do filho que seguia o pai pela ferrovia no nordeste brasileiro. Garoto esperto aquele cujos ídolos eram Luiz Gonzaga e, mais tarde, Elvis Presley.
Mergulhei. Mas mergulhei de tal forma que não voltei mais.

Descobri que ele, assim como eu, também era metade filho das profundezas mais rústicas do sertão e metade filho dele mesmo, o garoto que se tornou roqueiro. Metade raíz, metade fruto do que o mundo que escolheu o tornou.
Assim, nada seria mais justo que que viver minha loucura da minha forma, na melhor maneira de dizer ao mundo (ou seja lá quem for) o que sou.

De Raul em diante, em 2009, eu multipliquei a vontade de seguir-me em tudo que fiz.
Com mais paixão, mas sempre sob a sombra da sina da morte e vida severina de meus ancestrais, eu sigo apenas desejano não me perder do que Raul sempre foi pra mim: eu mesmo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009




Três representantes de bandas de épocas, estilos e públicos diferentes. Três caras: cada um representando, através da música, algum momento meu. Três motivos para afirmar que existe originalidade e genialidade no rock'n'roll contemporâneo.

sábado, 7 de novembro de 2009

O vácuo de Skylab


No começo o vácuo da vida me levou. Flutuei pelos caminhos indecifráveis da internet e cheguei até ele, o antipoeta. Foi no vazio de uma vida modorrenta e adolescente que ri ao ouvi-lo. Mas ele não é só risos, não.
Rogério Skylab, para um bem treinado ouvinte de música brasileira, soa provocador. Afinal, ele é avesso. E, por vezes, avesso do avesso.
Deve ser isso mesmo, já que o vácuo é "um buraco no meio com o vazio dentro" e de tanto ser vazio e profundo, vira ao contrário.

Numa de suas músicas, ele canta: "Quem que furou, quem que furou, Um furo no meio de mim, furo de que, furo de que, Eu tava bem, eu tava bem, Um furo no meio de mim, Mais uma vez, mais uma vez. O dia nasceu, o céu tava azul, Um furo no meio de mim, Não entendo bem, não entendo bem..."
Sim, ele canta isso! E apresenta-se sempre com a mesma energia mórbida e célere de um velho esquálido. Dança, requebra, faz gestos e atira em pássaros imaginários.
Percebe-se, numa olhadela mais amoral, sua temática contrária ao bom senso e ao ecochatismo. Falar do câncer da Ana Maria Braga, por exemplo, não é nada louvável num mundo de respeito cego mútuo.

O mais interessante é que cada um vê um sentido nele.
Alguns riem, atordoados. Devem pensar que é só brincadeira. Outros, no entanto, riem de forma mais amena, tentando esmiuçar os palavrões e afrontas de suas composições para encontrar algum sentido.
Mas, cá entre nós, não vale a pena ficar aí flutuando nessa viagem dele fingindo entender cada letra e arriscando, por exemplo, que o câncer anal - da Ana Maria Braga, do falecido ex-governador Mário Covas e do próprio Skylab - pode ser a morte. Afinal, a primeira tá morrendo, o segundo já morreu e Rogério ainda vai morrer.

Dizem que sua música não é cultura, que ele não é músico, mas sim comediante. Dizem muito a seu respeito. Aliás, todos sempre têm muito a dizer sobre tudo.
Mas, no fundo, Skylab é um dos únicos que assume que tem um furo no meio de si. O único que deixa fluir esse vazio de existir.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

This is thriller




Em frente à luxuosa sala de cinema, grandiosidade. O palco, como tudo que se refere ao astro, estava montado. Luzes, câmeras e muita ação. Por todas as cidades mais importantes do mundo, aliás, imitadores, fãs e imprensa em alvoroço.
Acomodei-me na poltrona assustadoramente próxima à tela e aguardei o início de "This Is It". Aos poucos, a ansiedade foi passando e tratei também de tentar deixar de lado toda a surpresa e incredulidade por estar ali. Mas não foi possível, pois, num ínterim, me veio à cabeça a sensação que tinha quando ouvia, via ou falava de Michael Jackson na infância.

Na época, era como tratar de um monstro magnífico, um gigante intocável e repleto de surpresas. Sim, surpresas... Jackson adorava surpreender a todos com entradas triunfais e espetáculos explosivos. Além disso, amava o que fazia e isso acabava lhe dando o direito de ser excêntrico e polêmico, apesar das críticas inerentes a todo astro de sua magnitude.

Mas veja só que ironia: nesta noite, MJ estava quase inteiramente blindado a essas críticas e, tal como suas entradas, sua saída da vida fora surpreendente...
De repente, som alto e susto. A sessão, enfim, começara.
Os devaneios, então, cessaram durante as sequências exclusivas de um artista desconhecido e intrigante. O diretor, Kenny Ortega, soube selecionar bem as imagens. Ninguém ousou tirar os olhos de tela durante 1h40 de filme.

Ao final da sessão, merecidas palmas da plateia e perplexidade de minha parte perante a descoberta de que fora surpreendido outra vez. Mesmo falecido, Michael Jackson me surpreendera. Realmente assustador, pensei, enquanto me levantava e me juntava à satisfeita multidão.
Já no hall apinhado de gente, concluí que o astro-mor não estava morto. Era óbvio que não estava morto! Estava mais presente que nunca e assim permaneceria para sempre no panteão da cultura pop.

Assim, ainda pensando em morte, lembrei-me automaticamente do famigerado "Thriller" de 1983, gerador do homônimo videoclipe revolucionário que poucos desconhecem e de como aquela revolução de zumbis, mortos-vivos e lobisomens rendeu ao rei do pop mais fama e polêmica. Afinal, a partir dali, a carreira que já estava em alta, consolidou-se ainda mais nos números e estatísticas, cravando o nome de Michael na história até hoje, após o seu falecimento.

Chegando em casa, meio a contragosto, ri da ligação inevitável entre este fato e o fim louco e contraditório - como o próprio artista: a mesma morte ou semimorte dançante que lhe rendera recordes, fama e dinheiro, e agora lhe rendia o mesmo. É... Não havia como negar que a morte lançou-se irônica sobre Michael Jackson.