domingo, 25 de abril de 2010

Bukão nunca mais outra vez

Cansado há tanto tempo, ele se cansou até mesmo do cansaço.
Olhou em volta, viu o pequeno caos - a maneira mais organizada de viver sendo ele mesmo -,vestiu-se e nunca mais, naquele dia, foi o mesmo.
Às vezes, algo de muito bom nascia nestes seus rompantes. Mas somente às vezes.
Outro dia fez isso outra vez, mas nada mudou também.
Até que se cansou de se cansar do cansaço e não mais teve rompantes. Nunca mais, num ínterim, mudou momentaneamente as coisas. Passou a ser um só. E, sendo um só, aprendeu a viver só - e melhor do que nunca.
Estava velho e semimorto, mas não enraizado. Se para ele ser idoso era como ser um anjo caído, era melhor se ver caindo, mas ainda andando. Andando para, enfim, cair morto onde quiser.
E, assim, nunca mais precisou rebelar-se contra si mesmo.

Um comentário:

"Jack" disse...

Grande Bukão! Sabia que uma hora ou outra ele ia parar de rosnar e ler jornal. :)

Ou não.